Agosto

Título: Agosto
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira

Comprei “Agosto” em agosto de 2020 e só agora, agosto de 2021, é que li a obra de Rubem Fonseca. Aliás, a primeira vez que li Rubem Fonseca foi em “Feliz Ano Novo”. Para quem buscava qualquer palavra de renovação naquele janeiro de 2020, sem qualquer aviso prévio a respeito do autor, aquele conto fora um choque, um golpe de revirar o estômago.

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Mais de 30 dias de quarentena

— Trouxe nova palma. A que aí está é enxertada, creio.
— Pelo menos é doce — pontuei. Não trava.
Ajudei minha mãe a tirar as compras das sacolas sem máscara, um erro. Coloquei laranjas, tangerinas e bananas compridas na cuba. Enchi-a d’água e pinguei água sanitária. Já tinha virado hábito, assim como borrifar embalagens com a mesma mistura — quando não, álcool a 70 por cento — e passar uma toalha de papel.

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Dia dos pais

Cartas para Gui

Rio Branco, Acre. 12 de agosto de 2018.

Querido Guilherme,

Hoje é dia dos pais, meu bem. Foi dia de café da manhã bonito, churrasco e… trabalhos acadêmicos. Foi, em parte, como eu não queria. Na verdade, tem sido… Meu bem, isso é um fato e vai acontecer o tempo todo. Até que você vai perceber que não tem o controle de tudo (de quase nada). E… bom, não muda muita coisa; você só surta menos e consegue ver o que é inevitável e, por isso, não vale a pena se desesperar. Por exemplo, se deixarmos algum objeto largado no sofá você vai inevitavelmente pegar e esconder. Então, quando isso acontece, eu só dou risada e procuro até achar…

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continuidade

Preciso me aceitar. Aceitar o que eu sofri. Não de um modo “Era mesmo pra ter acontecido…”, mas de modo “É. Ok. Foi mesmo uma grande merda inesquecível e imperdoável, da qual não tive culpa ou responsabilidade. Talvez só muito azar se você pensar em probabilidades e condições de contorno. Mas não quero que isso me consuma e roube todas as coisas boas que também podem acontecer comigo”.

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Tente amar sem os pronomes possessivos.